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A Escola é o mundo da educação formal
Retirado da Carta do Reitor-Mor dos salesianos,
Pe. Pascual Chávez Villanueva

A presença salesiana no campo da educação formal e especialmente na escola é uma das mais consistentes, significativas e difundidas.

Em 2007, a Congregação era responsável por 1208 Institutos escolares de diversos níveis, com pouco mais de um milhão de alunos, sobretudo na faixa dos pré-adolescentes, embora no último sexênio tenham aumentado notavelmente os alunos das escolas superiores, particularmente de nível universitário. Os salesianos (padres ou irmãos) atuantes no campo escolar são 2286 com dedicação exclusiva e 1364 com dedicação parcial, com a colaboração de um batalhão muito grande de leigos, quase 60 mil.

A escola salesiana é uma presença cristã significativa no mundo da educação e da cultura; ajuda os jovens a se prepararem com dignidade para a vida e contribui para formar a mentalidade e transformar a sociedade segundo os valores humanos e cristãos; por isso, é um instrumento fundamental para a evangelização. Em várias nações da Ásia ou da África, a escola é, muitas vezes, a única forma permitida de presença da Igreja; nela a comunidade cristã oferece um testemunho de serviço desinteressado aos setores mais pobres da sociedade, um ambiente humano permeado pelos valores evangélicos, como testemunho silencioso de Jesus Cristo, e também uma oportunidade preciosa de as famílias cristãs do lugar educarem cristãmente seus filhos.

Nestes anos, a Congregação fez um esforço notável para renovar a sua presença neste campo, sobretudo nos seguintes aspectos principais:

1º. A qualidade educativa e pastoral do ambiente no qual se vive, dos programas e propostas oferecidos, da metodologia utilizada, da própria estrutura e dos próprios recursos materiais, das pessoas nela empenhadas mediante um Projeto Educativo Pastoral Salesiano (PEPS) operativo e compartilhado por toda a comunidade educativa, de modo que seja capaz de orientar e guiar a dinâmica cotidiana da escola.

Neste sentido, é importante superar o perigo de considerar a pastoral como um setor ao lado de outros, mais do que a qualidade de toda a vida da escola, da cultura, da metodologia, das relações, das propostas etc. que nela se apresentam e se realizam; muitas vezes, isso é bem apresentado nos documentos, mas permanece um desafio que se deve ainda traduzir em prática na vida cotidiana da comunidade educativa.

2º. A comunidade educativo-pastoral esforça-se por construir a escola como comunidade humana a serviço da educação e da evangelização dos jovens e não só como instituição de serviços educativos. A escola é uma comunidade educativo-pastoral quando nela o centro é formado pelas pessoas, sobretudo os jovens, com relações interpessoais, com a participação dos valores da pedagogia e da espiritualidade salesiana, com o envolvimento e o protagonismo de todos em suas diversas funções.
3º. Uma escola plataforma eficaz e normal de evangelização, de modo especial mediante a promoção e transmissão de uma cultura e de uma mentalidade inspiradas nos valores evangélicos. A pastoral juvenil salesiana no campo da educação deve promover nos jovens não só a vida cristã, mas também uma cultura inspirada na fé e nos valores evangélicos, e deve ser alternativa à cultura do ambiente frequentemente caracterizada pelo secularismo, relativismo, subjetivismo, consumismo.

Os conteúdos culturais oferecidos na vida cotidiana de uma escola, nas diversas disciplinas, na metodologia, no ambiente, nas relações etc. nem sempre recebem a atenção necessária para garantir a coerência entre os conteúdos transmitidos ou as metodologias usadas e os valores da fé cristã, de modo que esta informe eficazmente a vida pessoal, profissional e social das pessoas e se estabeleça uma relação fecunda entre fé e cultura.

4º. Uma escola atenta e aberta aos jovens mais pobres, com dinâmica e metodologia que previne a falência escolar e ajude a superá-la com cursos de recuperação, aulas noturnas para os jovens que estão fora da estrutura escolar etc.; que promove, mediante as diversas matérias e atividades propostas, o contato e a inserção na realidade social, para descobrir as causas das situações de marginalização e exclusão ali vividas e suscitar o esforço de superá-las; uma escola que promove a cultura do diálogo, da colaboração, da aceitação do diverso, da solidariedade.

Estes objetivos foram favorecidos nestes anos através de um esforço sistemático e continuado que se atuou em várias regiões da Congregação. É exemplar o processo que se vai realizando na América salesiana a partir dos encontros continentais de Cumbayá (1994 e 2001) e Brasília (2008). As conclusões desses encontros foram aprofundadas nas diversas equipes inspetoriais e zonais para traduzi-las em programas operativos que orientem a ação das diversas comunidades educativas, ajudando-as a verificar a própria práxis educativa e transformá-la. Este trabalho é realizado com os vários grupos da Família Salesiana que administram escolas na América.

Algo semelhante vai-se fazendo também na Europa (encontros de Roma, em 1994 e 2000, de Cracóvia, em 2004, e Sevilha, em 2010) e na Ásia Sul, por meio das coordenações interinspetoriais ou nacionais.

No Brasil, com essas mesmas finalidades, os Salesianos e as Filhas de Maria Auxiliadora criaram a Rede Salesiana de Escolas (RSE), pela qual se promove a formação dos professores e a elaboração de textos escolares segundo a pedagogia salesiana.

A caminhada de renovação exige certamente uma formação permanente dos educadores mais sistemática. Além do esforço das Inspetorias para garantir uma boa formação educativa e salesiana com programas sistemáticos, desenvolveram-se em algumas Inspetorias ou regiões, diversos centros e projetos de formação educativa e pastoral salesiana dos colaboradores leigos, de modo especial dos professores das nossas escolas.

PEREGRINAÇÃO DA URNA DE DOM BOSCO

João Melchior Bosco (em italiano: Giovanni Melchior Bosco, popularmente conhecido no Brasil como Dom Bosco ou São João Bosco), nasceu em Castelnuovo d'Asti no dia 16 de Agosto de 1815 e morreu em Turim no dia 31 de Janeiro de 1888. Foi um sacerdote católico italiano, fundador da Pia Sociedade São Francisco de Sales, das Filhas de Maria Auxiliadora e dos Cooperadores Salesianos e foi canonizado em 1934. Posteriormente foi criada a Família Salesiana, constituída de vários grupos.

No contexto da revolução industrial na Itália, havia grande contingente de jovens sem família nas grandes cidades. Desde 1809, em Milão, a igreja católica mantinha um tipo de obra assistencial para jovens denominada oratório, que se ocupava de lazer, educação e catequese. O primeiro oratório de Turim foi fundado em 1841, pelo padre Giovanni Cochi. Influenciado por essas iniciativas, Dom Bosco funda em 8 de dezembro de 1841 um oratório em Turim, quando atende e ensina o jovem Bartolomeo Garelli na sacristia da Igreja de São Francisco de Assis. Em 8 de dezembro de 1844, esse oratório passa a denominar-se Oratório de São Francisco de Sales e em 1846 passou a ter sua sede numa propriedade de Francisco Pinardi, no bairro turinense de Valdocco.

Dom Bosco pensava organizar uma associação religiosa, contudo, o contexto político da unificação da Itália, a disputa pela separação entre Estado e Igreja, não estimulavam a criação de uma ordem religiosa nos moldes tradicionais.

O ministro Umberto Ratazzi lhe sugeriu organizar uma sociedade de cidadãos que se dedicasse às atividades educativas realizadas pelos oratórios em moldes civis. Dom Bosco propõe a Sociedade de São Francisco de Sales, que seria vista como uma associação de cidadãos aos olhos do Estado e como uma associação de religiosos perante a Igreja. Após consultar o Papa Pio IX, Bosco recebeu de seus companheiros padres, seminaristas e leigos a adesão à Sociedade de São Francisco de Sales em 18 de dezembro de 1859 e em 14 de março de 1862, os primeiros salesianos fizeram os votos religiosos de castidade, pobreza e obediência. A partir de 1863, além dos oratórios, os salesianos passam a se dedicar também aos colégios e escolas católicas para meninos e jovens. Com a separação entre Estado e Igreja, há forte demanda por escolas católicas, fazendo com que esse tipo de instituição se dissemine rapidamente. As regras da Sociedade, chamadas de Constituições, foram aprovadas pela igreja em 1874. Em sua morte, em 1888, a Sociedade contava com 768 membros, com 26 casas fundadas nas Américas e 38 na Europa. Despois disso essa sociedade não parou de crescer mais.

Agora por ocasião dos 150 anos de fundação da Pia Sociedade de São Francisco de Sales e em preparação para o bicentenário do nascimento de Dom Bosco, que ocorrerá em 2015, uma réplica de sua urna percorrerá os países onde se encontram os salesianos de Dom Bosco – SDB (nome dado aos membros da Pia Sociedade de São Francisco de Sales). Essa urna foi benta pelo Superior Geral dos Salesianos, Pe. Pascual Chávez, na Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora em Turim no dia 25 de abril último e deu-se início à peregrinação.

Após a bênção a Urna seguiu em procissão para o pátio de Valdocco, onde durante mais de 40 anos, Dom Bosco conviveu com a juventude pobre de Turim e de muitas outras partes da Itália.

A Urna, projetada pelo Arquiteto Gianpiero Zoncu, foi realizada em alumínio, bronze e cristal. Os mestres que realizaram a obra são: Marco Berrone (artífice do ferro), Francesco Boglione (marcheteiro). Os cristais são trabalho da firma Bivetro. A “Fundição Artística De Carli” preparou as ambiências metálicas e a firma Perlaluce cuidou da iluminação.

A base da Urna representa uma ponte sustentada por quatro pilares sobre os quais se leem as datas que definem o Bicentenário: 1815-2015. Os pilares são decorados para os lados da Urna com quadrângulos mostrando semblantes de jovens dos cinco continentes, obra do escultor Gabriele Garbolino. O brasão da Congregação salesiana, que neste ano de 2009 celebra o Sesquicentenário de fundação, e o lema carismático que adotou Dom Bosco – Da mihi animas, cetera tolle – completam a decoração da Urna. O Rosto de Dom Bosco da Estátua que está na Urna foi reproduzido a partir da máscara que Cellini realizou por ocasião da morte de Dom Bosco.

Incluindo a base, a Urna mede 2,53m de comprimento, 100 m de largura e 1,32m de altura. Seu peso total é de 530 quilos. Quem cuida de toda a logística da peregrinação é a empresa Italiana, Roberto Bertoli, juntamente com a Missioni Dom Bosco de Turim. Depois de percorrer algumas cidades na Itália a Urna foi para a casa Geral dos Salesianos em Roma. É daí que partiu para a América Latina.

A primeira etapa internacional da peregrinação desenrola-se na região salesiana do Cone Sul da América: Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil. Estamos, portanto, no final desta primeira etapa da Peregrinação.

No Brasil ela permanecerá de 19 de Dezembro de 2009 a 6 de Janeiro de 2010. Teremos a honra de receber a urna de Dom Bosco aqui em Brasília, cidade que ele previu em seu sonho visão sobre sua construção, nos dias 2 e 3 de Janeiro de 2010. No dia 2 ela estará no Santuário Dom Bosco da W3 Sul e no dia 3 aqui em nossa Paróquia São João Bosco do Núcleo Bandeirante. Não percamos esse forte momento de espiritualidade e de bênçãos para nosso Distrito Federal.

A seguir o programa da Peregrinação – que terminará no dia 31 de janeiro de 2014 – contempla a:

Região Interamérica: de março a outubro de 2010.

Região Ásia Leste-Oceânia: de novembro de 2010 a abril de 2011.

Região Ásia Sul: de maio a novembro de 2011.

Região África-Madagascar: de dezembro de 2011 a abril de 2012 e julho-agosto de 2012.

Região Europa Oeste: maio e junho, e setembro a novembro de 2012.

Região Europa Norte: de dezembro de 2012 a agosto de 2013.

Região Itália-Oriente Médio: de setembro de 2013 a janeiro de 2014.

Domingos Sávio

Domingos Sávio (1842-1857) Por que nossa escola tem o nome de Domingos Sávio? Pe. Ricardo Sávio do Sacramento, diretor geral, apresenta a figura do nosso padroeiro, que foi beatificado no dia 5 de março de 1950 e canonizado no dia 12 de maio de 1954. Domingos nasce no dia 2 de abril de 1842 em San Giovanni di Riva, perto de Chieri, província de Turim (Itália).

Crescido numa família rica de valores, impressionou desde pequeno pela sua maturidade humana e cristã. Para servir à santa Missa, esperava o padre fora da igreja, mesmo debaixo de neve. Estava sempre alegre. Tinha assumido a vida com seriedade, tanto que – admitido com apenas sete anos à primeira Comunhão – traçou num caderninho o seu projeto de vida: "Vou me confessar muito freqüentemente e farei a comunhão sempre que o confessor me permitir.

Quero santificar os dias festivos. Meus amigos serão Jesus e Maria. A morte, mas não o pecado". Encontra-se com Dom Bosco, quando tinha 12 anos, e pede-lhe para ser admitido no Oratório de Turim, porque desejava ardentemente estudar para ser padre. Dom Bosco, admirado, lhe disse: "Parece-me que temos aqui um bom tecido". Domingos respondeu: "Eu serei o tecido; o senhor então, seja o alfaiate". Acolhido no Oratório, pediu-lhe que o ajudasse a "ser santo". Afável, sempre sereno e alegre, coloca grande empenho nos deveres de estudante e no serviço aos colegas, de todos as formas, ensinando-lhes o Catecismo, assistindo aos doentes, pacificando as brigas...

Aos colegas que chegavam ao Oratório ele dizia: "Saiba que aqui, nós fazemos consistir a santidade em estar muito alegres". Procuramos "somente evitar o pecado, como um grande inimigo que nos rouba a graça de Deus e a paz do coração e impede de realizar os nossos deveres com exatidão". Fidelíssimo ao seu programa, apoiado por intensa participação nos sacramentos e por filial devoção a Maria, alegre no sacrifício, foi agraciado por Deus por dons e carismas. Em 8 de dezembro de 1854, proclamado o dogma da Imaculada por Pio IX, Domingos consagrou-se a Maria e começou a avançar rapidamente na santidade. Em 1856 fundou entre os amigos do Oratório a "Companhia da Imaculada" para uma ação apostólica do grupo. Mamãe Margarida disse a Dom Bosco: "Tens muitos jovens bons, mas nenhum supera o belo coração e a bela alma de Domingos Sávio". E explicou-lhe: "Vejo-o sempre rezando, fica na igreja mesmo depois dos outros; sai todos os dias do recreio para fazer uma visita ao SSmo. Sacramento... Na igreja, está como um anjo que mora no Paraíso". Morreu em Mondonio no dia 9 de março de 1857.

Dom Bosco escreveu a sua biografia, e chorava sempre que a relia. Seus restos mortais são venerados na Basílica de Maria Auxiliadora. Sua festa é celebrada no dia 6 de maio. Pio XI definiu-o como "pequeno, ou melhor, grande gigante do espírito". É patrono das mamães grávidas, e por sua intercessão registram-se todos os anos um surpreende número de graças.




  Sitio publicado em 20/05/2009